Atividades

ATIVIDADES ANO 2015

  • Grupo de Estudo: A FILOSOFIA LATINO-AMERICANA E INTERCULTURAL DE RODOLFO KUSCH NO DIALOGO COM UMA PROPOSTA EDUCACIONAL CONSTRUÍDA DESDE OS SABERES INDÍGENAS.

O presente projeto de pesquisa busca refletir a Filosofia Latino-americana e intercultural a partir, fundamentalmente, do pensamento do filósofo Rodolfo Kusch e sua possível interface com os saberes indígenas. Para tanto, a pesquisa terá como campo empírico de análise o acompanhamento e reflexão sobre a Ação de Extensão da UFRGS, intitulada “Saberes Indígenas na escola” e seu desdobramento na proposta de uma Licenciatura Intercultural Indígena.

A referida Ação de extensão origina-se do convite da SECADI/MEC, que indicou a UFRGS como IES Núcleo, integrada pedagogicamente a uma Rede (coordenada pela UFMG) instituída para desenvolver formação continuada de professores indígenas. A ação chamada de Saberes Indígenas na Escola contemplará o trabalho com professores indígenas de duas etnias: Kaingang e Guarani das Terras Indígenas situadas no RS cujas escolas dessas sociedades estão ligadas à Secretaria Estadual de Educação – SEDUC/RS. A ação Saberes Indígenas na Escola deverá contemplar a realidade sociolinguística dos povos indígenas atendidos, a partir dos seguintes eixos:

a) Letramento em Língua Indígena como língua materna;
b) Letramento em Língua Portuguesa como língua materna;
c) Letramento em Língua Indígena ou Língua Portuguesa como segunda língua ou língua adicional;
d) Conhecimentos indígenas, inclusive numeramento.

Para tanto foram formados grupos de dez professores e cada um com um orientador de estudo – um professor mais experiente que tem formação em curso específico e diferenciado. Farão parte desta ação 150 professores indígenas Kaingang e 50 professores indígenas Guarani, além de indígenas que atuarão como pesquisadores no projeto por serem importantes lideranças e sábios. A Ação fornecerá deste modo, um campo de reflexão extremamente rico para pensar as concepções de educação desde as culturas e saberes indígenas no diálogo com a universidade. Com o objetivo de refletir as práticas e experiências educacionais presentes nas aldeias e escolas indígenas buscar-se-á através desta ação extensionista construir um processo de formação dos educadores. Será elaborado, através de uma cartografia sociocultural, mapas que evidenciem quais as práticas pedagógicas existentes, os espaços não escolares de aprendizagem, os saberes orais que perpassam os conhecimentos locais dos povos indígenas, entre outras questões que serão pensadas a partir do exercício cartográfico.

Deste movimento que acontece dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Sul através de ações anteriores como o ProEja Indigena (2011-2012) e agora a ação de extensão Saberes Indígenas na escola (2014-2015), soma-se a iniciativa de um grupo de professores da universidade envolvidos com os referidos projetos, a pensar uma proposta de Licenciatura Intercultural Indígena na UFRGS. Para tanto, há a previsão de no ano de 2014 realizarmos, através do espaço dos Saberes Indígenas na escola, debates sobre a proposta de uma licenciatura Intercultural, que vise a formação diferenciada de professores indígenas.

Como referencial teórico de análise da ação, buscarei na Filosofia latino-americana e intercultural um corpo teórico que julgo inspirador e necessário para tal reflexão. Na continuidade de estudos que já venho realizando, penso que a Filosofia produzida desde a América latina, vem ao longo de sua história construindo ferramentas conceituais e teóricas que surgem desde as experiências profundas de nosso estar e ser latino-americanos. É desse modo, que não podemos ficar indiferentes a riqueza dos saberes indígenas na elaboração de um pensar próprio que nasça de nossa realidade. Para tanto, a obra de Rodolfo Kusch, importante filosofo latino-americano (que vem nestes últimos anos sendo profundamente estudado) será o principal referencial teórico da pesquisa. Por ter uma obra vasta sobre o pensamento indígena e popular, mergulhando em seu ethos na perspectiva de pensar quem somos, com pensamos e o que significa uma epistemologia da terra, tomarei o pensamento de R. Kusch e a Filosofia Intercultural como fundamentações teóricas do projeto.

Equipe:

Coordenação: Magali Mendes de Menezes – UFRGS e ASAFTI
Maria Aparecida Bergamaschi – UFRGS
Dilson Miguel Rapkiewicz – Universidade Federal da Bahia
Neusa Vaz e Silva – ASAFTI
Leonardo Castro Dorneles Laksman – ASAFTI